terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O erro do sentimento

“Dei-me sua mão...” foi o que ela pediu, e estendeu a mão.
Ele, por sua vez, apenas transferiu seus olhares dos olhos da jovem, para a mão da moça; levantava seu olhar e voltava, fazia isso freneticamente; porém, não tinha reação alguma.
“Você me prometeu... fique comigo...” ela implorava. Seus olhos lacrimejavam e ela segurava as lagrimas; mas era difícil, aquele gosto de amargura e raiva; ela havia abandonado tudo... mas ele, simplesmente, a deixou; ela via nos olhos dele que não havia amor algum; como poderia ter acreditado naquelas palavras?
“Eu te amo, sua boba...” ele dizia isso toda a vez que terminava uma briga. E ela simplesmente acreditava... sorria e o abraçava; chorava e ria; chorava de raiva, ria por achar que alguém a amava de um jeito único. Mas não... não a amava... e isso a corroia por dentro. Todas as vezes que ele a olhou com doçura, todas as vezes que ele lhe dava desculpas por nunca escrever, todas as vezes que ele a beijou fortemente, para não iniciar uma discussão. Dor... era isso que sentia; onde estava aquele que fazia tudo isso? Notava que ele nunca existira; como sempre, ela criou uma história em sua cabeça, e ele não era nada daquilo... ou era; como ela poderia saber? Tudo o que tinha certeza agora, é que, naquele momento em diante, ele não a amava mais. E ela lá, sozinha... distante... perto... longe... próxima... de tudo... de tudo o que acreditava.
“Ad...” ele não completou; ela então, olhando firmemente nos olhos daquele que um dia a teve nos braços, disse “Foi bom... foi... não é mais; e não haverá futuro...” baixando sua mão e virando-se de costas, com suas malas em mãos, ela seguiu em direção ao ônibus; um capítulo terminava naquela volta de viagem. As noites, que antes eram calorosas, naquela viagem foi diferente; eles sequer se entre olhavam... dormiam juntos, mas separados... dois desconhecidos... nada mais que isso.
“Me perdoa...” foi isso o que ele disse, ao olhar ela, que estava já dentro do ônibus, e o olhava, com um sorriso triste, doloroso... “...só me perdoe” e assim ela se foi. Por que ele percebera que foi algo que teria se libertado, mas que sentiria falta da prisão? Ela se fora... não voltaria... não brigaria... não gritaria... não faria mais ironias... não sorriria... não daria gargalhadas... não acordaria ele mais aos beijos calmos e doces... não o desejaria boa noite e nem diria para dormir com Deus... ela se fora... e tudo foi junto a ela. Tudo, menos a lembrança.

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