quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mãos de Sangue

Ele está bem. Ele me ama... sim, ele me ama. Ele vai voltar para casa. Mas, e se ele estiver com outra? Não! Não... ele não está. Aquela mancha na camisa dele era uma qualquer como as outras... as varias outras. Será que era mesmo uma mancha de batom meu? Eu não me lembro de ter aquela cor; posso ter parecida, mas não aquela cor. Estranho. Por que estou tão preocupada? Ele sempre me amou; não há motivos para que eu me preocupe. Bom, acho melhor fazer os meus afazeres domésticos. É isso! Sim, é isso! Ele está me trocando por alguém que não trabalhe em casa! Oh... como fui tola? Tinha certeza que ele só queria uma empregada! Uma mulher para cuidar de suas coisas, sem que ele precisasse pagar; ou então um objeto para satisfazê-lo a noite, quando precisa... sim, quando ele precisa; pois sempre tem sua amante. Ela deve ser mais bonita do que eu; deve ter protuberâncias mais acentuadas que as minhas; com certeza é mais delicada e doce que eu. Eu sempre o amei tanto... sempre vivi para ele. Cretino! Não... e se eu só estiver delirando? Esse meu amor doente… por que sinto tudo isso? Acho melhor acabar com toda essa insegurança hoje. De hoje isso tudo não passa. Dezenove horas, ele está para chegar. Ótimo, estou escutando seu carro entrando na garagem; preciso me apressar.

“É encontrado morto Charles Gusmão, homem de trinta e oito anos, dentro de sua casa. Segundo vizinhos, ouviram gritos logo que ele chegou de mais um dia de trabalho; eles também disseram ver uma mulher que aparentemente era sua esposa, com vestes vermelhas, lenço preto e óculos escuros, saindo da casa. Dentro do carro da vítima havia um buquê de rosas com um cartão escrito ‘Feliz dois anos de casado’.”

Shay Esterian.

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